Antevisão Benfica 🆚 Porto | Clássico para cimentar ideias

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É já esta sexta-feira que teremos o primeiro “clássico” do campeonato. Frente a frente vão estar o campeão em título e um dos líderes da actual edição da prova. Na classificação geral o Porto é um dos comandantes e tem mais um ponto que o Benfica. Em seis jornadas da competição, o emblema da Invicta soma 16 pontos, fruto de cinco vitórias, um empate ante o Arouca, dez golos marcados e cinco sofridos. Por sua vez, os benfiquistas contabilizam cinco triunfos, uma derrota (no Bessa), 16 golos marcados e sete consentidos.

Nas últimas épocas, o FC Porto tem-se dado bem no palco que é a casa das “águias”. Se contabilizarmos somente os jogos para o campeonato no reduto do Benfica, nos últimos 20 anos – desde que o novo Estádio da Luz existe -, o saldo tem sido amplamente favorável aos da Invicta, que somam cinco triunfos, quatro empates e duas derrotas, a última das quais em 2018/19. Com Conceição ao leme há sete temporadas, os vice-campeões nacionais venceram no terreno dos “encarnados” em quatro ocasiões, registaram um empate e uma derrota. Este será o 90º jogo na Luz para a Liga nacional: nos anteriores tivemos 43 êxitos e 169 golos apontados pelos anfitriões, 27 empates, 19 sucessos e 91 tentos marcados pelos forasteiros.

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As “nuances” deste jogo serão muitas, as tácticas, as individuais, as estatísticas das equipas até esta fase da Liga. Tudo terá um peso e vamos olhar para esses e outros detalhes para tentarmos perceber o que podemos esperar deste desafio.

[ Os ratings do Benfica-Porto da Supertaça 2023, o mais recente confronto entre os dois emblemas ]

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As dúvidas de Roger Schmidt

As “águias” têm melhorado o nível exibicional nas últimas semanas, mas ainda procuram encontrar o equilíbrio e vão denotando algumas oscilações no decurso de várias partidas – as exibições diante do Boavista, Vizela, Salzburg e Portimonense, atestam isso mesmo. Roger Schmidt tem, comparativamente a 2022/23, um plantel com mais alternativas – falta um “backup” para fazer sombra a Bah na lateral-direita –, mas a equipa não tem sido tão consistente. O técnico alemão não abdica de Aursnes, mas colocar o norueguês como lateral é apenas uma solução de recurso, o multifunções não compromete, mas a sua capacidade de pressão no meio-campo tem feito falta – o emblema da Luz está mais exposto nas transições defensivas.

Para o “clássico” desta sexta-feira, o treinador germânico ainda tem algumas dúvidas no que concerne à equipa inicial que vai apresentar: se a aposta em Trubin veio para ficar? Quem será o lateral-esquerdo – Aursnes, David Jurásek ou Bernat (menos provável)? Bah vai recuperar a tempo de um traumatismo no pé esquerdo? Qual será a dupla do meio-campo, ou melhor, quem será o parceiro de Orkun Kökçü? A capacidade de recuperação de Florentino, a electricidade de João Neves ou será possível conjugar os três no “onze” ao mesmo tempo, deslocando o camisola “87” para uma das faixas? Di María (a contas com uma contusão) vai estar em pleno e, caso esteja, será possível conjugar um “onze” com o argentino e Neres? João Mário vai prosseguir de início? Muitas perguntas que serão decifradas por Schmidt minutos antes das 20h15 desta sexta-feira.

As dúvidas de Sérgio Conceição

Do lado “azul-e-branco”, Sérgio Conceição já admitiu que a nota artística não tem sido elevada, mas os portistas apenas perderam um dos oito jogos oficiais que fizeram até ao momento, precisamente a Supertaça em Aveiro que os benfiquistas venceram por 2-0. Para o duelo na Luz, o treinador deverá apostar na base que esteve em campo diante do Shakhtar Donetsk e Gil Vicente, ou seja, utilizando um 1x4x2x3x1 com Iván Jaime nas costas de Taremi e com algumas incertezas, a saber: o capitão Pepe está de fora (edema num dos gémeos), será que a dupla de centrais vai continuar a ter David Carmo e Fábio Cardoso? João Mário vai manter-se como lateral-direito ou Pepê será chamado? Teremos Alan Varela e Eustaquio como duplo “pivot” ou haverá espaço para uma surpresa como Marko Grujić na vaga do argentino? André Franco terá mais um teste descaído sobre a direita, na missão de fazer esquecer Otávio? Galeno é indiscutível.

Caso opte por um 1x4x4x2, Conceição poderá deixar Franco de fora, colocar Iván Jaime no corredor direito e apostar em Fran Navarro ou Toni Martínez? Tal como o rival, o FC Porto ainda não afinou a consistência e vai apresentado duas caras em diversos encontros, com momentos de qualidade e outros muito abaixo do esperado – os triunfos em Moreira de Cónegos, Vila do Conde, Reboleira e contra o Gil Vicente são disso exemplo.

Os dados mais relevantes de “águias” e “dragões”

Esmiuçando os números dos dois conjuntos, podemos ter a esperança de que teremos um “clássico” de pendor ofensivo. Benfica e FC Porto são, em seis jornadas, as duas equipas com mais acções na área adversária, os “dragões” lideram com 213 e os “encarnados” surgem logo depois com 187. Relativamente aos remates, os forasteiros também são líderes neste parâmetro com 99 tentativas e as “águias” tem menos duas tentativas (97). Já nos remates de bola corrida, os comandados de Roger Schmidt já fizeram 78 (máximo), mais oito do que o opositor, que aparece em segundo.

[ Os remates/xG de Benfica e Porto na Liga – a amarelo os golos, quanto maior a bola, maior o xG ]

Os lisboetas têm o melhor ataque da prova e também são quem mais cria ocasiões flagrantes, 16, mais cinco do que os da Invicta. Enquanto o Benfica é uma equipa que procura explorar mais a troca de passes, o FC Porto é mais objectivo e estica mais o seu jogo pelos corredores e essa diferença é bem patente nos cruzamentos (bola corrida) com 108 (máximo), já os da Luz fizeram apenas 72 centros, surgindo apenas no 12.º posto neste capítulo.

[ A diferença entre os cruzamentos de Benfica e Porto]

Na eficácia dos cruzamentos, a distância diminui de forma significativa. A equipa de Conceição aparece em segundo com 31,5%, tendo os benfiquistas uma eficácia de 26,4% (4.º lugar). Mais cerebral na construção dos lances, o Benfica é o líder do campeonato no que concerne à eficácia de passes, com 86,1%, e o FC Porto fecha o pódio com uma percentagem 82,7%. Os campeões nacionais são, ainda, os que mais acções defensivas no meio-campo adversário fizeram nestas rondas, com 84, os portistas surgem bem mais abaixo com 57 (11.º).

[ Acções defensivas de Benfica e Porto nestas seis jornadas ]

“Batata quente nas mãos de Roger Schmidt” (Tomás da Cunha)

Medo cénico, superioridade táctica, bloqueio mental. Vários factores podem explicar a maior percentagem de êxitos do FC Porto na Luz, algo que, como já escrevemos, tem vindo a cristalizar-se no reinado de Sérgio Conceição. Por outro lado, desde que assumiu o comando das “águias”, Roger Schmidt derrotou os “dragões” por duas vezes e registou um desaire, precisamente em casa e numa altura em que liderava o campeonato com mais dez pontos do que opositor. Sendo assim, o que podemos esperar deste novo “round”?

“É sempre um pouco difícil analisar os clássicos, sobretudo na incerteza daquilo que vai trazer o Benfica. Em primeiro lugar, do ponto de vista mental, já é mais do que conhecido nos últimos tempos um certo medo cénico do Benfica a jogar, sobretudo em casa, contra o FC Porto. Mesmo que até esteja numa boa fase, a equipa, por vezes, não consegue traduzir isso nos encontros contra o FC Porto e deixa que o rival seja superior do ponto de vista táctico e da agressividade”, começa por dizer Tomás da Cunha em declarações ao nosso “site”. Para o analista, esta partida poderá servir para ver até que ponto vai o lado mais estratégico do técnico alemão na preparação de duelos deste quilate.

“A batata quente, digamos assim, está nas mãos de Roger Schmidt. Penso que ainda tem coisas a provar em relação àquilo que apresentou do ponto de vista estratégico nos últimos encontros contra os outros ‘grandes’ na época passada. Não foi por aí que o Benfica se destacou no campeonato português, Na Supertaça, a primeira parte foi bastante pobre do ponto de vista táctico, o FC Porto teve muita vantagem do lado esquerdo, aquela aposta num ataque com Rafa e Aursnes não saiu na melhor forma e só depois ao intervalo é que corrigiu. Creio que o técnico alemão tem algo a provar na abordagem ao jogo”, sublinha. Na época passada, nos confrontos com FC Porto, Sporting e SC Braga para a Liga, o Benfica registou dois triunfos, dois empates (ambos diante do velho rival da segunda Circular) e duas derrotas (com os “azuis-e-brancos” na Luz e com os “arsenalistas” na Pedreira).

Do lado do FC Porto, pairam algumas incertezas, num “onze” que ficou órfão de duas peças influentes. Falamos claro de Matheus Uribe, agora no Al-Sadd, e de Otávio, colega de Cristiano Ronaldo no Al-Nassr, e da incerteza relativamente ao estado físico do capitão Pepe.

“O Porto, como sempre, vai entrar com agressividade certa, digamos assim, para um ‘clássico’, com capacidade para contrariar o jogo do Benfica, agora há aqui algumas questões que são relevantes. Sérgio Conceição perdeu dois pilares em ‘clássicos’, falo de Uribe e de Otávio, dois jogadores que ajudavam sempre a equipa no controlo do meio-campo e, por vezes, até a chegar mais vezes à frente para desequilibrarem, sobretudo a rematar à baliza, e Otávio era uma mais-valia. Também pode perder um terceiro pilar que é Pepe. Creio que a defesa pode ficar muito frágil se tiver de jogar como dupla de centrais com David Carmo e Fábio Cardoso, aí penso que a equipa ficará a depender mais da pressão no meio-campo contrário, ou seja, se o Benfica conseguir criar condições para que Rafa, João Mário, Di María (se estiver em condições para jogar), possam atacar a última linha do Porto, jogo pode inclinar-se bastante para os ‘encarnados’. Por outro lado, se o Porto conseguir defender alto, forçar erros, vai ter condições para que os melhores façam novamente a diferença, demonstrando aquela superioridade táctica que tem marcado os últimos clássicos”, perspectiva o comentador da Eleven Sports/DAZN, TSF e colunista da Tribuna Expresso.

Lançados os dados, qual será o desfecho do “clássico” desta sexta-feira? Roger Schmidt vai conseguir o terceiro triunfo diante dos rivais – a última vez em que as “águias” conseguiram derrotar o rival em casa foi há quase cinco anos, em Outubro de 2018, numa equipa então treinada Rui Vitória. O FC Porto vai escrever mais um capítulo histórico na Luz ou “águias” e “dragões” vão anular-se?

Leonel Gomes
Leonel Gomes
Amante das letras, já escreveu nos jornais A Bola, Público e o O Jogo, dedicando-se também ao Social Media Management desde 2014. Tornou-se GoalPointer na "janela de mercado" do verão de 2019.