Após termos revelado há poucos dias as três grandes figuras da Liga NOS: melhor jogador, melhor português e jogador revelação, e também depois de lhe darmos a conhecer os líderes de vários “tops” estatísticos, é chegado o momento de lhe trazer os nossos habituais “melhores 33”. Os três jogadores com GoalPoint Rating mais elevado na sua respectiva posição.

Em relação aos 33 da primeira volta são várias as mudanças. Para começar, logo no “onze” titular há cinco novidades, mas no total são 14 os jogadores que desaparecem dos eleitos em Janeiro. “Tecatito” Corona é o único titular que sai por completo do lote, pelo facto de ter ficado a 104 minutos do limite de 1530 que foi definido como filtro. Fábio Martins é outro dos que tinha estado em grande nas primeiras 17 jornadas 6.53, mas que foi prejudicado pela escassa utilização (e boa forma de Ricardo Horta), não somando minutos suficientes para continuar entre os eleitos.

Uma menção honrosa para o jogador que mais evoluiu o seu rating entre a primeira e a segunda volta. Alfa Semedo, médio-defensivo ou central do Moreirense, subiu de 5.38 para 5.74, e se tivesse mantido a consistência da segunda volta ao longo da época teria terminado com 6.00, pontuação que lhe teria dado lugar entre os melhores centrais. Por outro lado, as maiores quedas foram de Ricardo Nunes, guarda-redes do Chaves que desceu de 6.12 para 5.66, e de Pizzi, que até nem tinha começado tão mal assim a época, mas desceu 37 centésimas na segunda volta, perdendo a “titularidade”.

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O campeão FC Porto acaba por ser, naturalmente, o clube mais representado entre os titulares, com cinco jogadores, enquanto o segundo classificado, Benfica, é o emblema com mais nomeados entre os 33, nove. Destaque ainda para a curiosidade de o último posicionado, o Estoril Praia, colocar dois jogadores entre os melhores, sendo superado apenas pelos clubes que ficaram nas cinco primeiras posições da tabela.

Mas vamos então aos eleitos!

Altos voos a pedir altos voos

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O prémio de melhor guarda-redes da Liga NOS 17/18 vai para Cláudio Ramos, guardião do Tondela. Nada muito inesperado, tendo em conta que foi o terceiro jogador com mais prémios MVP ao longo da época (seis), e também o guarda-redes com mais presenças em “onzes” da jornada (seis) e do mês (três). O português somou 3,5 defesas a cada jogo, a mais alta média do campeonato, defendendo 64% dos remates feitos dentro da área que foram na direcção da sua baliza e 60% das grandes penalidades. O português teve ainda sucesso em 83% das saídas que fez pelo ar, com a vantagem de ser o terceiro guarda-redes que menos sai a soco (26% das vezes), apenas atrás de Cristiano e Rui Patrício.

Os outros lugares do pódio couberam a Caio Secco, salvador do Feirense na última jornada e guarda-redes com mais saídas pelo ar eficazes a cada jogo (0,93), e ao veterano Cássio, que só ficou atrás de Rui Patrício na percentagem de remates enquadrados dentro da área defendidos (65%).

Domínio portista na defesa

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Se na primeira volta a defesa titular tinha sido 100% “azul-e-branca”, no final da época Marcano perdeu o lugar para o “goleador” Raúl Silva, mas foi, ainda assim, o terceiro melhor central do campeonato. O seu colega Felipe foi o melhor da posição, com números de ponta-de-lança no que toca aos remates de cabeça (0,7 a cada 90 minutos, 57% enquadrados). Os dois “dragões” foram ainda os centrais mais fortes nos duelos aéreos defensivos, ambos com 79% de sucesso, e Felipe terminou no “top 5” das intercepções (2,7 p/ 90m), algo extraordinário jogando numa equipa que está tão pouco tempo a defender. Os outros três centrais (Halliche, Jardel e Rúben Dias) entram directamente para os 33. O estorilista foi “top 3” do campeonato em intercepções (2,8 p/ 90m) e foras-de-jogo provocados (1,3 p/ 90m), enquanto Jardel destacou-se mais nos duelos aéreos defensivos (76% ganhos) e Rúben Dias pelos poucos dribles que consentiu (0,17 p/ 90m).

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Na lateral-direita, Ricardo Pereira não desiludiu e coleccionou prémios ao longo da época. Para além de ter sido o melhor português da Liga NOS, terminou a temporada como o lateral-direito com melhor GoalPoint Rating a nível europeu – com 40 centésimas de avanço sobre Dani Alves – e foi o melhor em campo no decisivo “clássico” da época. Não há melhor maneira de explicar a influência ofensiva e defensiva de Ricardo Pereira, do que dizer que tanto nas ocasiões flagrantes que criou como nos desarmes, nem somando os registos de André Almeida e Piccini – segundo e terceiro na posição – chegamos às médias de Ricardo Pereira (0,56 p/ 90m e 3,9 p/ 90m, respectivamente).

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A lateral-esquerda é a única posição que não tem qualquer alteração em relação à primeira volta, nem nos eleitos, nem na ordem dos mesmos. Alex Telles, terceiro melhor jogador da época, venceu naturalmente pelo segundo ano consecutivo, numa temporada em que ofereceu 13 golos, apenas no campeonato. Nenhum lateral conseguiu mais a nível europeu. Mas os números de Jefferson também não são de somenos. O ainda jogador do Sporting registou 0,69 ocasiões flagrantes por jogo, a mais alta média do campeonato. Grimaldo destacou-se por uma influência mais global e até foi o jogador com mais acções de bola corrida a cada 90 minutos (88,2) na Liga NOS.

“Grande” democracia no meio-campo

No nosso 4-3-3 há espaço para um jogador de cada “grande” no meio-campo. Com a lesão de Danilo Pereira, Héctor Herrera foi obrigado a jogar mais recuado e as suas prestações não se ressentiram, pelo contrário. O mexicano ganha o lugar de médio-defensivo titular pela consistência em várias variáveis, com e sem bola. Entre centro-campistas, Herrera terminou no “top 5” de desarmes (3,2 p/ 90m), bloqueios de passes (1,3 p/ 90m), recuperações de posse (8,1 p/ 90m), mas também eficácia de passe para o meio-campo contrário (80%) e passes para finalização de bola corrida (1,3 p/ 90m). A acompanhá-lo surge um benfiquista e um ex-Benfica. Fejsa dominou quase tudo o que foram números defensivos e de passe, enquanto Danilo Barbosa destacou-se entre os centro-campistas pela boa qualidade no um-para-um (2,5 dribles eficazes p/ 90m) e nas intercepções (2,2 p/ 90m).

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Como médios mais ofensivos temos Andrija Zivkovic e Bruno Fernandes. O sérvio será a grande surpresa deste “onze” por ter tido uma primeira volta quase sem utilização (321 minutos) e noutra posição. No entanto, com a lesão de Krovinovic, Rui Vitória inventou um “novo Zivkovic” que não ficou a dever nada ao anterior. De bola corrida, só Paulinho (Portimonense / Porto) o bateu nos passes para finalização (1,5 p/ 90m) entre os médios, mas onde Zivkovic se destacou verdadeiramente foi nos passes de ruptura, com 0,47 p/ 90m, quase o dobro do segundo melhor médio, Francisco Geraldes.

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Sobre Bruno Fernandes já muito se foi falando ao longa da época. O português foi sem qualquer dúvida o melhor reforço do campeonato, muito graças à sua qualidade de longa distância onde só encontrou rival em João Novais, outro dos médios presentes nos 33 melhores. Bruno foi ainda o segundo melhor da época, tanto em prémios MVP GoalPoint (nove, atrás de Jonas com 11), como em presenças em “onzes” da jornada (12, atrás de Alex Telles com 14).

Nota ainda para Lucas Evangelista, o único jogador a merecer a distinção de Moneyball Player GoalPoint e que foi o melhor centro-campista da época fora dos quatro primeiros.

Um “puto” emprestado e os dois melhores do ano

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Um final de época fabuloso, com oito ratings acima de 6.0 nos últimos dez jogos que efectuou, deu a Matheus Pereira o direito de entrar directamente para o lugar de melhor extremo-direito na Liga NOS 17/18. O brasileiro emprestado ao Chaves pelo Sporting bateu toda a concorrência, inclusive a de Gelson Martins, e se houver justiça terá reservado lugar no plantel do Sporting para 2018/19. A época de Matheus foi bem para além dos sete golos e cinco assistências, terminando-a como o segundo driblador mais forte (3,2 p/ 90m) do campeonato e o homem que mais faltas sofre no último terço em toda a Europa (1,9 p/ 90m). Decisivo em muitos momentos do Benfica, sobretudo pelos nove golos que anotou, Salvio foi o segundo melhor da sua posição, seguido de Gelson Martins, que ficou um pouco aquém das expectativas.

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No flanco contrário aparece o melhor jogador da primeira volta, Yacine Brahimi. Já escasseiam adjectivos com que categorizar o argelino, sobretudo ao nível do drible, onde “joga” num campeonato completamente à parte. Brahimi terminou a Liga NOS 17/18 com 167 dribles eficazes, mais do dobro do segundo classificado, Gelson Martins (81). A nível europeu, s Neymar e Hazard finalizaram a temporada com melhor média por 90 minutos que a do argelino (5,5). O segundo melhor ala-esquerdo foi Rúben Ribeiro. Hoje já poucos se lembram da excelente primeira volta que fez no Rio Ave e que o levou ao Sporting, mas o que é certo é que nos 457 minutos que jogou na segunda volta manteve o nível, e o seu rating até subiu de 6.26 para 6.27. O agora seu colega, Marcos Acuña, manteve o terceiro lugar entre os alas esquerdos, superando por pouco o seu compatriota Franco Cervi 6.18.

Sobra o lugar de ponta-de-lança para o melhor marcador e melhor jogador do campeonato, Jonas. Com apenas mais 19 minutos de jogo que o segundo, Moussa Marega, Jonas anotou mais 12 golos, não só pelo facto de rematar com maior frequência, como por fazê-lo com bastante maior precisão, sobretudo nas ocasiões flagrantes. O brasileiro faz ainda o dobro dos passes para finalização do maliano e é com naturalidade que somou mais duas assistências. Bas Dost foi o terceiro melhor, com exactamente o mesmo rating 6.16 de Vincent Aboubakar.

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Menções honrosas

À beira de entrar nos 33 finais, mas que ficaram de fora por falta de minutos ou de poucas centésimas, destacamos ainda estes jogadores:

  • Sérgio Oliveira (Porto) 6.58 – Ficou a escassos 188 minutos de aparecer entre os titulares. Este foi o ano da afirmação definitiva de Sérgio Oliveira que, tal como escrevemos, já não deve nada a ninguém e até merecia ir ao Mundial.
  • Jesús Corona (Porto) 6.54 – Já o considerámos um dos jogadores mais subvalorizados da Liga, o que só mostra a riqueza do plantel do campeão, Porto. Sempre que teve minutos, Corona voltou a estar em grande nível, atacando e defendendo com igual eficácia e sendo dos poucos a fazer frente a Brahimi nos dribles eficazes (3,3 p/ 90m).
  • Franco Cervi (Benfica) 6.18 – A posição de extremo-esquerdo está “congestionada”, obrigando Cervi a ficar de fora, mas o argentino terminou a época com excelentes números, sobretudo ao nível da criação de oportunidades de remate flagrantes (0,61 p/ 90m) e totais (2,3 p/ 90m).
  • Shoya Nakajima (Portimonense) 6.10 – O japonês do Portimonense foi uma das grandes revelações e contratações do campeonato. Tal como Cervi, paga o preço de jogar numa posição com bastante concorrência, mas de bola corrida ninguém ofereceu mais remates que ele no campeonato (2,0 p/ 90m).
  • Muriel (Belenenses) 6.09 – Uma arreliadora lesão tirou-lhe metade da época, mas foi excelente a primeira temporada do “goleiro” do Belenenses, com 3,8 defesas por jogo e 73% de remates enquadrados defendidos.
  • Danilo Pereira (Porto) 5.97 – Ficou a escassas duas centésimas de entrar nos 33, mas de certeza que lhe custará bem mais falhar o Mundial do que esta eleição.
  • Sebastián Coates (Sporting) 5.78 – A época do central ficou marcada por alguns erros individuais que lhe comprometeram o lugar nos 33, mas tirando esses episódios voltou a mostrar-se do melhor que há no nosso campeonato nesta posição.