Fechada que está a primeira volta da Liga NOS 19/20, chega também o habitual balanço que destaca os craques com melhor desepenho do campeonato, de acordo com o nosso algoritmo de avaliação de performance: o GoalPoint Rating.

Um balanço que se diferencia desde logo pela frescura no “onze” ideal. Tendo em conta que seis dos nomes que terminaram a temporada passada entre o melhor “onze” foram para outras paragens, já seria de esperar vermos algumas caras novas assumir a “linha da frente”, mas são nove os “actores principais” deste filme que não o eram em Maio. Apenas Bruno Fernandes e Pizzi mantêm o lugar, sendo que, dos restantes, só Corona e Grimaldo já constavam, não do “onze”, mas do lote de 33 escolhas no final da temporada passada.

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Douglas Jesus, Seferovic e Rafa Silva são os três titulares da época passada que desaparecem do lote de 33, embora este último apenas por uma questão técnica. A lesão que apoquentou Rafa impediu-o de somar os 765 minutos exigidos para fazer parte deste lote, caso contrário seria mesmo o jogador com melhor rating da primeira volta. Um brilhante 7.52, não tivesse sido ele o autor de um dos três 10.0 que nos trouxeram estas primeiras 17 jornadas. Quanto a Douglas Jesus 5.26 e Seferovic 5.40, os seus desempenhos esta temporada estão mesmo bem longe dos que os elegeram na época transacta.

O Benfica tem ainda outro caso semelhante ao do extremo português. Carlos Vinícius 7.29 ficou a escassos 74 minutos de entrar nas escolhas, mas caso o brasileiro não tivesse demorado tanto tempo a convencer Bruno Lage, seria muito provavelmente o titular na posição de ponta-de-lança. Sendo assim, Porto e Benfica têm igualdade nos representantes que nomeiam para o “onze” ideal, sendo as outras seis escolhas distribuídas por seis clubes, o que corrobora o fosso pontual que se abriu entre os dois primeiros e “os outros”.

Mas falemos então dos eleitos, posição e posição.

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Nunca é tarde para o estrelato

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Entre os guarda-redes, Marco Pereira atinge o estrelato aos 33 anos. Uma bela história de um guardião com mais de 200 jogos na Segunda Liga e que soube aguardar o seu momento para brilhar nos grandes palcos. Nesta primeira volta, o guarda-redes do Santa Clara foi o segundo com mais defesas por jogo (3,9) e defendeu 77% dos remates dirigidos à sua baliza, entre eles dois penáltis. De acordo com o modelo de expected saves (xS), um guarda-redes “normal” teria sofrido 27 golos no lugar de Marco, mas o natural de Castelo de Paiva sofreu apenas 19, oferecendo pontos preciosos à sua equipa. Giorgi Makaridze (79%) ficou apenas atrás de Odisseas Vlachodimos (86%) no que à percentagem de remates defendidos diz respeito e, ao que parece, pode em breve vir a partilhar os treinos no Benfica com o grego. O “setubalense” foi o segundo guardião com melhor rating, ficando o grego na quinta posição, fruto de ter muito menos trabalho (2,2 defesas por jogo). Hervé Koffi, que se destacou pela segurança nas saídas (1,5 / jogo com 100% de eficácia), garantiu o terceiro lugar.

 

Defesa com sotaque castelhano

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A posição de lateral-direito tem sido aquela com escolhas menos óbvias nos últimos anos. Nenhum dos “grandes” tem tido uma opção consistente em tempos recentes e, se na época passada Rodrigo Soares surpreendeu toda a gente ao ser o eleito o melhor na posição, esta temporada é o (cada vez mais) “adaptado” Corona a tomar conta do lugar. O mexicano, que já leva sete assistências, destaca-se em tudo o que são números ofensivos e chega ao fim da primeira volta com uma brilhante eficácia de cruzamento (35%). Se Corona dá nas vistas pelo que faz com bola, João Aurélio foi enorme no momento defensivo. Neste momento lidera o ranking de intercepções a cada 90 minutos (2,8) e é o lateral com mais alívios dentro da área (2,6). Ricardo Esgaio compete com Corona pelo trono de mais eficaz no cruzamento (37%) e é na sua posição aquele que mais desarma (3,4 / 90m).

O centro da defesa é constituído por dois “regressados”. Iván Marcano voltou ao Dragão após uma época na Roma e depressa tomou um lugar que costumava ser seu, não só no “onze” portista como nos “onzes” GoalPoint. A eficácia pelo ar (81% nos duelos defensivos) continua a ser uma das suas imagens de marca, mas há mais. Marcano foi driblado apenas três vezes em 16 jogos, tantas como os golos que marcou. Ao seu lado está Aderllan Santos, uma das grandes surpresas entre os “titulares”. O brasileiro saiu de Braga em alta, passou por Espanha, Brasil e Arábia Saudita, e aparece agora, melhor que nunca, aos 30 anos em Vila do Conde. Seguríssimo com bola (95% de passes eficazes no meio-campo defensivo), é ainda o segundo central com melhor eficácia no passe longo (67%), apenas atrás de Edmond Tapsoba (69%), e só é superado por Jadson (2,4) em intercepções a cada 90 minutos (2,3). A presença de Sebastián Coates entre os três melhores pode surpreender tendo em conta os erros a que ficou associado (nem todos na Liga NOS), mas explica-se muito pelo que faz também nas áreas contrárias, nomeadamente os 72% de duelos aéreos ofensivos que vence nas bolas paradas. Os titulares da selecção nacional, Pepe e Rúben Dias, completam o lote, com alguns números atipicamente similares.

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A posição de lateral-esquerdo é, sem dúvida, a que teve competição mais acérrima. Os dois “Alexes” são desta vez acompanhados por Sequeira e ficaram separados por apenas duas décimas!

Grimaldo é mais capaz no passe e joga melhor em espaços interiores. Alex Telles destaca-se nas assistências e nos golos, e Sequeira é muito sólido a nível defensivo. Uma das lutas mais interessantes de acompanhar na segunda volta.

Meio-campo com uma grande surpresa

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A posição de médio-defensivo traz a confirmação de um jogador que já tinha mostrado muita qualidade na segunda volta da época passada. Na altura, o rating de Gabriel 6.10 deixá-lo-ia apenas atrás de Herrera, caso tivesse somados os minutos necessários, mas desta feita o brasileiro supera toda a concorrência, apesar de não ter sido considerado MVP em nenhum dos jogos do Benfica. O homem que mais toca na bola a cada jogo em toda a Liga NOS (87,6 / 90m) é também o segundo médio que mais passes progressivos acerta (8,2 / 90m) e apesar de jogar numa equipa com muita posse, está no Top 5 em acções defensivas por jogo (7,3). Também nesse Top 5 consta uma das grandes revelações da posição. Com 7,7 acções defensivas por jogo, Pepelu é o esteio do meio-campo do Tondela e o melhor médio-defensivo fora dos “três grandes”. Matheus Uribe é o outro e destaca-se, sobretudo, no desarme (3,1 / 90m). Algo muito raro é o facto de termos um jogador dos “grandes” entre os piores de uma posição. Esse título cabe a Idrissa Doumbia 5.13, que fica anormalmente longe dos titulares de Benfica e Porto.

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Outra das grandes surpresas entre os titulares é o nome de Pêpê. Outrora grande esperança da formação do Benfica, Pedro Rodrigues tem sido finalmente aposta consistente de Ivo Vieira, treinador que já o conhecia do Estoril, e tem justificado as expectativas colocadas nele em tempos idos. A sua eficácia no passe longo (83%) é melhor do que a de muitos médios no passe curto e não piora se falarmos de passes longos para o último terço. O trabalho defensivo continua a não ser o seu forte (4,0 acções defensivas por jogo), mas o posicionamento e qualidade com bola não têm deixado que isso se note. Adel Taarabt e Uroš Račić são as segunda e terceira opções para o lugar. O sérvio é dono do melhor golo da Liga NOS no Puskas Ranking, naquela que foi apenas a segunda exibição “nota 10.0” de um jogador fora dos “três grandes” na história do GoalPoint, enquanto Taarabt tem surpreendido tudo e todos por uma transformação que se julgava impossível, dentro e fora do campo. Só dois médios de construção – Rúben Oliveira (Aves) e João Afonso (Gil Vicente) – registam mais acções defensivas (5,9 / 90m) do que o marroquino.

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Entre os médios de características mais ofensivas, Bruno Fernandes, pois claro, é dono do lugar. O “8” do Sporting terminou mesmo como MVP da primeira volta, após ser o melhor em campo em sete dos 16 jogos que disputou. Até no TotoRating é destacadamente o mais escolhido pelos participantes, com média de 70% dos votos a cada ronda. Resta saber se a estes prémios se segue mais algum em Portugal… Se se confirmar a sua saída, os brasileiros Lucas Evangelista e Diego Lopes estão à espreita para lhe ficar com o lugar no “onze ideal” do final da época. A qualidade do ex-Estoril já era conhecida da sua primeira passagem pelo nosso campeonato, e em Guimarães tem tido liberdade para mostrar que essa época esteve longe de ser um acaso. Só Bruno Fernandes (1,4 / 90m) enquadra mais remates do que Evangelista (1,2) entre centro-campistas e, na sua posição, ninguém tem melhor eficácia de passe no meio-campo ofensivo (84%). Quanto a Diego Lopes, já leva três golos e três assistências e é o segundo médio que mais faltas conquista (3,1 / 90m), apenas atrás de Eber Bessa (3,7).

 

Ataque refém de duas águias com pouco voo

Os já falados Rafa e Carlos Vinícus formariam com Pizzi o trio atacante, caso tivessem somado os 765 minutos necessários. Sem essa premissa cumprida, só o brigantino marca presença no ataque e disputou com Bruno Fernandes uma acesa luta por MVP da primeira volta. A posição de extremo-direita é a que tem GoalPoint Ratings mais altos e também ficaria bem entregue a Otávio 6.46 ou Galeno 6.40. Dois brasileiros com “carimbo Porto” que se destacam, entre outras coisas, pelo drible. Ambos estão entre os cinco da Liga NOS que mais dribles eficazes registam a cada jogo (2,8 e 2,7, respectivamente) e são grandes candidatos a um “trono” que pertencia habitualmente a Brahimi. Galeno já é jogador do Braga em definitivo e enfrenta agora a concorrência de Francisco Trincão, que nos escassos 364 minutos que somou também se tem destacado nesse aspecto (3,5 / 90m).

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Por falar em “guerreiros do Minho”, na esquerda há duas opções contratualmente ligadas ao Braga. Curiosamente, é o emprestado Fábio Martins o dono do lugar, fruto de uma primeira volta brilhante ao serviço do Famalicão. Fábio foi o melhor jogador do mês de Agosto, figurou no “onze ideal” dos dois meses seguintes e já leva sete golos e três assistências. Ricardo Horta (quatro golos e três assistências) é o outro extremo-esquerdo bracarense que “ensanduicha” Luciano Vietto, o terceiro “leão” destes 33 e de longe o melhor reforço a chegar a Alvalade no último Verão.

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Zé Luís é, destacadamente, o ponta-de-lança com melhor GoalPoint Rating, apesar de ultimamente não ser indiscutível nas opções de Sérgio Conceição. O cabo-verdiano “factura” a cada 109 minutos, alguns deles com elevado grau de espectacularidade, e foi também ele dono de um 10.0 logo na segunda jornada, frente ao Vitória de Setúbal. Outro “dragão”, Moussa Marega, é a segunda opção para a posição. A época não está a ser muito profícua em golos, mas o maliano tem compensado com assistências (cinco) e passes para finalização. De bola corrida, só Bruno Fernandes (2,3 / 90m) oferece mais finalizações que Marega (1,8). O mais cabeceador da Europa, Paulinho, ficou na terceira posição e promete uma segunda volta em grande tendo em conta o volume ofensivo que o Braga tem apresentado sob o comando de Rúben Amorim.

Menções honrosas

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Já falámos de Rafa 7.52 e Carlos Vinícius 7.29, mas há outros jogadores a merecer destaque apesar de não terem entrado nos 33 finais.

Dener Clemente (Portimonense) 6.45 – Médio-centro que tem correspondido sempre bem quando adaptado por Folha a ponta-de-lança. Se tiver continuidade pode ser uma boa surpresa na segunda volta.
Anderson Oliveira (Famalicão) 6.38 – Marca um golo a cada 84 minutos, quase sempre a partir do banco. Tem dividido a titularidade com Toni Martínez 5.72.
Luis Díaz (Porto) 6.28 – Ficou a duas centésimas de Ricardo Horta. Um dos bons reforços do Porto para esta época, ainda não está ao nível de Brahimi, mas há sinais muito positivos.
Marcus Edwards (Vitória SC) 6.23 – Tal como Luis Díaz, foi vítima da muita concorrência na sua posição. Desequilibrador nato (3,5 dribles completos + 3,4 faltas sofridas / 90m), quando for mais “amigo” do golo, cuidado com ele.
Florentino Luís (Benfica) 6.21 – Caiu com alguma surpresa das opções de Bruno Lage, quando era o médio com mais intercepções em toda a Europa.
Mehdi Taremi (Rio Ave) 6.15 – Ponta-de-lança completo a quem só tem faltado regularidade fruto de algumas pequenas mazelas. Destacou-se em Alvalade por ter arrancado três grandes penalidade a Coates.
Tiquinho Soares (Porto) 6.13 – Está em grande momento de forma e o rating terá tendência a subir, pois ganhou o lugar a Zé Luís.
Falaye Sacko (Vitória SC) 6.00 – Como já escrevemos, está numa posição com poucas opções de qualidade muito acima da média, e quando regressar da lesão pode lutar por um lugar nos melhores 33.